quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Contemplação

Acendo um Nag Champa
Coloco Marconi Union pra tocar
Preparo um bom chá
Pão na chapa pra completar
Fico a mirar
Contemplar
Mais um dia se foi
Um bom dia de trabalho
O espetáculo para se ver
O entardecer.

domingo, 4 de outubro de 2015

terça-feira, 9 de junho de 2015

de súbito pensei 
que do mais já cansei
vacilei, errei
não há tempo a perder
tudo que temos é o agora
noite e dia a semear
a sorrir e cantar
como nos sonhos mais loucos
que nem o dragão de Zaratruska ousou imaginar
vamos la
caminhar
sonhar
planejar
realizar
e celebrar
a vida à compartilhar
esse mundo de alegrias
e aprendizado que é agroflorestar.

segunda-feira, 23 de março de 2015

É engraçado como o segredo da vida está nas relações humanas, pelo menos para nós humanos é claro! Está ai uma matéria que deveria ser dada em todas as escolas fundamentais, pois sem saber se relacionar com o outro, nunca conseguiremos extrapolar nossos limites. O eu nunca será completo sem o nós. O eco nunca será difuso enquanto houver a batalha pelo ego. E o mais importante, enquanto a consciência e amor não forem coletivos, estaremos estagnados sem compreender que o vislumbre do outro sou eu também. 

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Sem paixões por hora, só café e cigarros por favor!




   Pego no meu coração, quebrado e abatido e meto a ralhar-lhe em pedra escura ao sol do meio dia. O que se deu dessa vez? Por que não dou sossego para esse trem de querer?

   De imediato percebo um erro capital, coisa simples, mas que a maioria dos homens brancos do ocidente não se atrevem a pensar. Fato é que não deveríamos cair na simples birra e tentação infantil de querer todas as coisas a qualquer custo na hora que bem entendemos, como uma criança quando vê um brinquedo ou entra em um super-mercado. Esse tem sido meu erro, que persiste teimoso, pois apesar dessa analise consciente, meto-me a pensar nos cabelos dela.

   Retomando o coração em estado terminal, fico pensando no histórico do mesmo, que outrora era jovem, sadio e promissor; e agora encontra-se capenga descrente e  ferido. Sempre foi do meu feitio abrir o peito, e mostrar àqueles de fácil riso e aparente empatia o conteúdo bobo e de amor simplório que forma a personalidade dos meus átrios e seus constituintes. A reação das pessoas, em sua maioria, é a de reprimir ato tão liberal, e demasiadamente arriscado entre seres tão perigosos como os humanos. Eu nem ligava, sempre tive força rejuvenescedora quando alguém se aproveitava e cutucava com faca meu exposto coração. Sabia também que a maioria dessas pessoas nem fazia por mal, sei lá, as pessoas não são simplesmente más, a verdade é que elas também estavam feridas, ou só não sabiam lidar com esse tipo de sentimento. E a conexão instantânea  e mágica com almas amigas sempre fizeram tudo isso valer a pena o tempo todo.

   Apesar da primavera a tempos de chegar, nem tudo são flores. O coração foi levando cada porrada, e a capacidade de regeneração foi diminuindo. E eu, apressado como sou, muitas vezes expus meu órgão bombeador sem as feridas terem cicatrizado, e recentemente ele estava aberto e ainda sangrando. Eu sei que isso não forma uma imagem particularmente bonita, mas é a ilustração que materializa esse texto. Dai que tomei a decisão mais fácil, que aparentemente qualquer um já teria tomado a muito tempo, e achei razoável fincar o pé em não me apaixonar mais por um tempinho, e deixar o coração aberto apenas para aqueles que já sabiam entrar sem bater. Batata!! Tomada a decisão de não me apaixonar, levaram apenas trinta minutos do tempo/espaço para eu encontrá-la e falhar. Papo doce, jeito honesto e vontades passadas; esqueci da minha decisão, e para os psicólogos de plantão que acham que o subconsciente está associado a alguma região do cérebro, saibam que foi meu coração que decidiu por mim no piloto automático que eu estava novamente afim de alguém.

   Foi legal, mas a natureza desse texto já revela que as coisas não andaram como planejado (e quando andam não é mesmo?!). Nós simplesmente não afinamos, a sintonia dos beijos não perdurou. Mas sei la também, as vezes eu to pensando que A mais B é igual a C, e para ela A pode ou não depender de B para resultar um C, que alias pode ser influenciado pela lua e outros ciclos ocultos. Não sei como tudo vai desenrolar, mas agora estou em fase de reabilitação dessa droga poética que é a paixão. Aprendi a lição, e dessa vez não vou prometer nada. Só deixar o tempo agir. E ser o melhor de mim.

sábado, 23 de agosto de 2014

ACALENTAR

Sossegar a alma
Dar folga ao pensar
Acalma teu coração
Pois o ímpeto,
muitas vezes é em vão
Respira profundo
Esse ar do agora
e sossega do amanhã
Porque o amanhã não está sob controle,
nada nunca está sob controle
Então sossega
Sossegar a alma
Dar folga ao pensar
Deixar fluir, 
o tempo passar,
o chá curar,
a ferida cicatrizar
O tempo agir
O novo surgir.

23/08/2014 - fagulhas de inspiração

domingo, 15 de junho de 2014

Saúdo os que reinventam la belle époque 

Dança no Moulin Rouge (1890), deHenri de Toulouse-Lautrec, Museu de Arte de Filadélfia.


Mais um dia casual na terra dos macacos, quando saio para comprar pães e me deparo com um Polako amigo. A previsão de tempo era de calmaria e alguma ansiedade por algo que nem sei bem o que. Pois bem, a conversa com o amigo é fina e sabemos que o dia apresenta suas festividades, e desta prosa é tomada a decisão de saborear os excedentes do generoso deus Baco.

Partindo da premissa que as expectativas não levam a lugar algum além de frustrações e desejos mal realizados, finco o pé na ideia de me afogar em lisergia e boas companhias. Partimos para o ponto de embarque em horário propício, por volta das quarenta para as dezessete horas.

O sítio era bem empolgante, e parecia cheio de atrativos. Muitos amigos, motivos para comemorar e drinks polêmicos. O problema de tentar enxergar todo o cenário esta em aceitar a sua pequena existência, e quase torná-la nula para assumir totalmente o papel de observador. Confesso que é uma tarefa complicada e agradável, nesta eventual situação eu tentei assumí-la após o uso de alguns aditivos.

Em algum momento onírico, propus a um miúdo amigo que imaginasse comigo – e se as pessoas não passassem de sentimentos e sentidos, cada um com sua peculiaridade e fragrância única?

Converti toda minha ação, sorrisos e olhares captados em fontes de inspiração, e assim eu consegui ver um pouco do cenário empolgante, revolucionário e desafiador que é a juventude em busca do seu eu, da sua venda de imagem e aceitação pessoal. É curioso como desenvolvemos peculiaridades de maneira mais sofisticada a cada passo que crescemos dentro de uma comunidade. As fases comportamentais, intelectuais e ideológicas de cada camará, do primeiro ao ultimo ano de graduação, e a parafernália de gestos, manias e vícios que trazemos conosco.

O sorriso cruzado, o olhar de desejo sorrateiro, a dúbia vontade carnal...
A aceitação pessoal!

E frente todo este espetáculo, quem diria, a Itália jogava contra a Inglaterra. O placar eu nem sei, porque algo de mais interessante me despertara o interesse.

Simplesmente não posso expressar em palavras o estado de satisfação ao ouvir a voz aguda no fundo, quase irritante, da mulher amada, e pela simples questão de saber que ela estava lá. Não estava por mim, e nem mesmo ao meu lado; mas estava lá, se divertindo, gargalhando como todos outros embriagados naquela dança, e aquilo me satisfazia. Se ela soubesse que só a sua voz é capaz de me levar a estados de nirvana em alguns momentos... e talvez ela saiba! A beleza de saber e aceitar a existência do outro. Sorrir os olhos dela, beija-la e brindar nossa existência. Existência essa no mesmo tempo espaço. E como posso não chegar à conclusão certa e dizer – que sorte a nossa de poder compartilhar este mundo!